15.2.09

Memória de Eqcards

Um sorrisinho malévolo, mas ao mesmo tempo apaixonado, rastejou intrepidamente até se alojar na minha boca - entretanto troçando -, enquanto relia esta preciosidade vinda dos tempos longínquos de 2005, 2006 e 2007.
Primeiro, o site está uma autêntica m... criancice. Construí-o no final de 2006, com 14, e a minha escrita não era tão... erudita.
Segundo, o mesmo para o texto, que até é mais antigo do que isso.
Terceiro, fui continuando o texto Eqcards por alguns meses, do final de Janeiro de 2007 até ao início de Junho do mesmo ano. Ao todo, cerca de oitenta páginas.
Outros tempos, outras paixões, quase outra pessoa.

13.2.09

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Eremita: Oásis

Sendo este o terceiro capítulo, para quem não leu os dois primeiros, deixei as respectivas imagens para quem quiser ir lá ter.



Eremita



Refúgio



Oásis


   Longe do ar abafado pela respiração das engenhocas do humano, escondido entre serras de um cinzento esverdeado, enfeitadas de um nevoeiro poderoso, uma planície viva, que descia nascida de uma colina arrebitada e triste, estendia-se longa e acolhedora. Não havia árvores que manchassem aquela liberdade verde clara, assim sem relevo. Apesar das brumas, que se amuralhavam em volta das colinas, o sol gemia um brilho fraco, mas insistente, recôndito por detrás das nuvens.
   Contra a pele sentia uma brisa leviana. Respirava o ar fresco da Primavera. Hoje, o verde iluminava o seu dia. Uma lufada de ar quente, quase molhado de tão húmido, encostou-se-lhe ao ouvido. Olhou para o pujante amigo. Um cavalo ruço, brandindo um cinzento quase branco, escurecendo em direcção aos membros posteriores e anteriores. As crinas penduravam-se de um cinza mais escuro, a cauda assemelhava-se a um estandarte de um dourado natural. Era nele que se embrulhava feliz. Era nele que florescia. A liberdade impunha-se, quase sólida, sobre o seu coração.
   O calor que vinha dele resplandecia numa escuridão vazia. Trovejava como um dia limpo e solitário no Inverno. Desenhava-lhe as formas concisas do rosto mais sorridentes.
   Montou-o, sentindo a paz tocar-lhe nas áreas que com a cavalgadura contactavam. Respirou. Respiraram. Em uníssono, unidos. Despidos de qualquer barreira entre eles e a liberdade. Com palavras silenciosas, pediu-lhe o galope. Atravessaram o prado livre, eterno, vazio e completo. Na maior solidão, na melhor solidão, na melhor companhia. Todo o resto do mundo se extinguia na essência daquela emoção.

 

Filipe Dumas, 10 a 13 de Fevereiro de 2009



10.2.09

The Trap

The pretty boxes out there are calling us,

Their colours and lights want to eat us

And we’re flying like stupid culicidaes

Like if there were no other ways.

 

We cut off our hands and they can reach us,

They know how to take our brains from us

And we suicide like horny spiders.

Who’s the martyr here anyway?


9.2.09

A Árvore Do Amor



Os ramos escondem segredos.

Os segredos não são segredos.

Os segredos são árvores, florestas inteiras.

A Paisagem Da Vida

Na tempestade apaixonada, nos campos da liberdade, nos céus do amor. Aprendi a voar.




(Sem regras. Não houve lápis.)

8.2.09

Infância


Perdida já no horizonte passado,

Alagada de longas esperas vividas,

Esquecida pelas mudanças do fado,

Marcada pelas paixões nela nascidas,

Sedenta do amor que a deixou de lado,

Lar daquelas emoções há muito idas.

 

Do sorriso vazio ao sorriso apaixonado

Degrau a degrau ganhei o toque de Midas,

Subindo em direcção ao reino dourado

Da felicidade e das heresias permitidas.

Assim construí a base dum soldado

Apaixonado pelas mais perfeitas vidas.

 

Filipe Dumas, 2 a 8 de Fevereiro de 2009

Aí está um bónus, o quadro O Nascimento.