12.11.08

The Scarecrow

I protect the fountain,
I am hated by all drinkers,
I am hated by the crows.

I keep away with fear
All the ones who conform,
I am hated by the crows.

I scare you, I scare you,
You run, you fly, you steal,
I am hated by the crows.

I haunt you with my thoughts
And you with your recordings,
I am hated by the crows.

11.11.08

Censurado

Fui censurado. A Senhora Rubrica II foi vetada pelos senhores Moralidade e Religião, que residem na minha escola.
Nunca irei entender o pensamento dogmático que lhes infesta a mente.
Além disso, fizeram os julgamentos preconceituosos que critico na rubrica.


Bom, censurem lá isto:

6.11.08

O Nascer Da Arte

   Encontrava-se só, à beira do riacho. Chutou, zangado, uma pequena pedra na direcção da água, que saltitou por alguns metros, até se afundar. Sentou-se e levou as mãos à cara. Uma cara que não era bela. Uma cara que também não repugnava. Mas que, ao mesmo tempo, não nos suscitasse indiferença. Era apenas diferente. A expressão, agora, era de angústia, de irritação, mas ao mesmo tempo transparecia uma paixão. Uma profusão louca de emoções e sentimentos castigava-o.
   Ouviu à sua volta o som do vento nas árvores, a luz do dia a esgueirar-se por entre o verde esclarecido das folhas, que se espalhavam abundantemente por cima dele. Juntavam-se, por vezes, o chilrear de pássaros que ali habitavam ou visitavam, uns abrigados e outros esvoaçando. Sempre presente, soando qual música de ambiente, calma e serpenteante, corria a água do riacho. Vagueava lentamente, límpida, transparente, viva. Tudo estava sereno. Os animais embalavam-se com a música da Natureza, invisíveis ao olhar do humano que contemplava, sentado onde terra e água se tocavam.
   Fechava os seus punhos e tentava enterrá-los no solo, premindo os seus dedos contra as pedras. A dor não o incomodava. Dava-lhe um prazer vermelho. Um prazer que parecia um formigueiro ardente. Cada vez com mais força, premia contra o chão de calhaus. A água chegou-se-lhe, e com ela um frio suave. Fraquejou, finalmente, retirando os punhos do solo. Estavam com marcas algo profundas. Não fez feridas, nenhuma das pedras era pontiaguda, todas tinham sido moldadas pela força hídrica da Natureza. Sentia dor. Mas era uma dor efémera, apenas para o distrair da verdadeira dor. E esta voltou a trovejar na sua cabeça, ecoando tenebrosamente. Voltou a sibilar aquela vozinha. Voltou a gritar aquela complicação.
   “Porque tem tudo de ser tão difícil?” perguntou-se, sentindo-se um adolescente que acaba de descobrir certo obstáculo novo na vida.
   À sua volta, toda a Natureza fluía entre si. Sempre calma. Com a mesma serenidade desde que ali tinha chegado. Sentia-se cansado. Levantou-se e recuou uns metros até encontrar vegetação. Ali deixou cair os seus membros dormentes, deixou escapar a sua fantasia para os céus, deixou as suas preocupações anestesiadas e abraçou a Natureza, por fim.
   Um canto emergiu. Primeiro lento, crescente… Cada vez mais alto e estridente. Relaxava-o. Parecia que lhe arrancava todas as preocupações. Convidava-o a fugir do mundo. Desejava que aquele momento se sustivesse na perenidade. Parecia uma explosão de todas as cores. Uma resposta. Não lhe interessava nada para além daquele belo som. Parecia negro, depois amarelo, prateado, verde, passava por todas as cores, toda a imaginação. No vácuo passaram todos os sabores.
   Acordou. Não entendia muito bem o que se tinha passado. Não sabia se tinha sequer acontecido.
   Apressou-se a levantar. Correu dali. Desapareceu. E sem perceber nada, recomeçou a vida.

 

 Filipe Dumas, 5 e 6 de Novembro de 2008

5.11.08

A Paixão

O desejo, desejo da união
Dos nossos corpos feros, tão ardentes
E famintos dos lábios e dos dentes,
Deste feroz desejo, da paixão...
O desejo... Atingiu o coração
E explodiu - calou todos os descrentes...




4.11.08

O Homem Cinzento

Ele estava sozinho na sala. Não havia lá mais nada para além do seu corpo nu. Apenas o seu pensamento. Uma sala sem limites. Não via o tecto, o chão, as paredes… Não via nada do que estava à sua volta. Parecia tudo escuro. Ou tudo preto. Ou talvez vazio. Estava deitado no chão, sem o ver. Sentou-se. Levantou-se e andou um pouco, procurando uma das paredes. Andou, andou, sem encontrar nada sólido. “Serão as paredes sequer sólidas?”. Podiam não ser. Podia tê-las atravessado sem o sentir. Mas não. Sabia que ainda não as tinha trespassado. Interrogou-se sobre quais os limites da sala. Perguntou-se se era uma sala. Estaria sequer num espaço físico? Estaria num sítio que transcendesse o físico?
Não sabia sequer se estava vivo ou morto. Não sabia se aquilo era um sonho, um pesadelo, uma experiência posterior à morte, anterior à vida… Não sabia, mas queria saber. Se não soubesse, apenas se sentiria perdido. Se não quisesse saber, sentir-se-ia estranhamente animalesco. O que seria pior. Mas porquê? “Por que quero saber isto tudo?” Será para satisfazer uma simples curiosidade? Será por capricho? Será para sair da sala? Será para fazer algo com a sala? Para evoluir? Para seguir em frente? Para voltar? Para acordar? Ou teria simplesmente de esperar para acordar daquilo que poderia ser um sonho? Será que, se se sentar e esperar, acorda? Será que a verdade virá? Será que há verdade? Estas e tantas outras, tantas, tantas outras interrogações atravessavam-lhe a mente como flechas a passar ao lado do alvo. Mas cada vez se aproximavam mais do centro.
Olhou para as suas mãos. Eram cinzentas. “Ou será ilusão? Será a minha mente a pensar que estou cinzento?”. Todo o seu corpo estava de um cinzento, uma cor baça. Tentou sentir-se, tocando-se em vários pontos e áreas do corpo. Era a única forma que a sua vista alcançava. Era um homem. Era um ideal. A personificação do ideal clássico. Não fazia sentido. Era perfeito, mas ao mesmo tempo tão imperfeito. Tão incompleto. Tão vazio. Não sabia se era humano. Não sabia o que era. Não sabia quem era. Não sabia há quanto tempo ali estava. Não sabia de onde tinha vindo. Não sabia para onde iria. Queria tanto saber isto, que procurava todas as respostas ao mesmo tempo.
Se as encontrou, já não sei. Apenas sei que se aproxima cada vez mais dessas respostas. A cada pergunta, aproxima-se da resposta. Com cada resposta vem uma pergunta nova. E o cinzento torna-se prateado. E no horizonte da sala pareceu ver-se uma parede…

3.11.08

Questão À Questão



Oh Razão, em ti busco minha luz,
Procurando os porquês de todo o ser,
Duvidando desde o amanhecer
Das verdades impostas pela Cruz.
Parei para pensar em vez de crer,
Mas será que estarei a entristecer?