1.10.09

Comentário a responder à senhora Cati

"SEGUNDA-FEIRA, 28 DE SETEMBRO DE 2009

necessidade súbita de escrever. sobre o quê? nao sei.
hoje na aula de filosofia, apesar de tudo fiquei a pensar em certos assuntos. Disseram-me que desde cedo nos começamos a questionar sobre o que se passa a nossa volta, do que está a acontecer, do que são as coisas. Lembro-me perfeitamente dessa idade, em que costumava virar-me e: "Mãe porque é que tenho de fazer isto? O que são aqueles pontinhos brilhantes no céu? Porque é que fica escuro? e nunca tinha uma resposta que esclarecesse. Ficava sempre com aquele "bichinho" do porque é que nunca me dizem as respostas?
chego agora, uma idade em que supostamente temos um pensamento mais "racional e possível" hmmmm puderá ser, mas continuo com todas as dúvidas que tinha. Porque raio não haverá explicação para certas coisas? não digo tudo, porque viver num local, que soubesse tudo, ou que eu o soubesse, seria estranho. Só que.. esta ignorância as vezes faz-me pensar e pensar e pensar e nunca chegar a uma conclusão. chega a ser frustante.
Se nascemos, temos um período de vida, na qual supostamente aprendemos e desenvolvemos o nosso ser, percebemos o que nos rodeia, as coisas e depois morremos, isto.. terá de ter um lógica. Será assim tudo tão relativo?
Corroi me a cabeça pensar, porque nao chegarei a lado nenhum, mas bah. Curiosidade? Tentar perceber o porquê do mundo?
Nao queria isso, apenas queria encontrar algumas respostas"

Cati, in Read a Part of My Mind


Enlighten

"Cá vai testamento:

"Porque raio não haverá explicação para certas coisas?"
Porque ainda não encontrámos um caminho que as explique empírica ou racionalmente. E, já agora, algumas coisas são válidas apenas de acordo com certas lógicas. Podemos tanto argumentar que Deus não existe porque não temos provas como argumentar que nós somos a prova de que Ele existe. Podemos seguir certas lógicas que fazem com que uma vida sem um sentido inerente não faça qualquer sentido, como podemos seguir uma lógica que defenda que é apenas biológica. Isto porque não há provas sólidas e objectivas de que provem qualquer um destes argumentos. Depende sempre do caminho que tomamos. Por isso é que nunca há uma verdade fixa nestes casos. Não temos uma cadeia causal de acontecimentos que nos faça perceber imparcialmente tudo. Não somos suficientemente perfeitos.

"não digo [saber] tudo, porque viver num local, que soubesse tudo, ou que eu o soubesse, seria estranho."
Porque dizes que seria estranho? Acho que é apenas uma questão de hábito: estamos habituados a não saber mais nada para além do que nos é ensinado e do que vemos por nós próprios. Não seria estranho, mas seria perfeito: se seguíssemos todos uma linha de pensamento perfeita, faríamos parte de uma sociedade perfeita, sem condicionantes culturais.
Agora... é impossível saber tudo. É impossível desprendermo-nos completamente de todo o "conhecimento-lixo" e conhecermos todas as causas e efeitos do Universo (e arredores, vá-se lá saber). Maaaas... o segredo está no caminho: não podemos saber tudo. Mas podemos tentar saber o mais possível. A meta é meramente... um motivo.

"Se nascemos, temos um período de vida, na qual supostamente aprendemos e desenvolvemos o nosso ser, percebemos o que nos rodeia, as coisas e depois morremos, isto.. terá de ter um lógica."
Há várias lógicas que podemos aplicar a isto. Podemos argumentar que é uma cadeia de acontecimentos que levou ao acontecimento que é a vida, em conjunção com vários acontecimentos (evolução, etc), e que não há nenhuma explicação para a vida senão... simplesmente haver condições para ela existir (e evoluir ao ponto de ter consciência suficiente para se aperceber dela própria). Mas isso não quer dizer que a vida não tenha sentido e que nos devíamos todos suicidar (até porque a não existência de sentido não implica que não a devemos viver).
O que eu acho é que, se a vida não tem sentido, temos a liberdade legítima de lhe atribuir um.
Podemos também argumentar que a vida é um caminho no qual perseguimos um estado superior, e esta é uma passagem onde aprendemos a passar para esse plano, seja ele qual for.

"Corroi me a cabeça pensar, porque nao chegarei a lado nenhum, mas bah."
Como já disse, a vida é um caminho (pode ou não levar-nos a algum lado), e o facto de, por exemplo, não acreditarmos que possamos atingir a felicidade, não vamos deixar de o tentar.

"Nao queria isso, apenas queria encontrar algumas respostas"
Qualquer resposta que encontres vai, muito provavelmente, mudar. AS respostas que encontras agora podem não te satisfazer amanhã (pelo menos devias duvidar delas todos os dias). Porquê? Porque a cada minuto, a cada segundo acontece algo. Esse algo, por muito insignificante que seja, é mais uma pedra no castelo que é a nossa vida. E todas essas pedras contribuem para algo. Cada acontecimento vai contribuir para outro acontecimento, que vai despoletar acontecimentos na nossa cabeça (costumamos chamar-lhes pensamentos) que vão formar, a cada momento, lógicas novas e diferentes.
Aquilo em que eu tenho a certeza hoje, como por exemplo, de que não há um senhor sentado numa nuvem a olhar para mim, pode mudar numa questão de segundos. De minutos, horas, dias, anos. Não interessa. A nossa realidade é absolutamente moldável pela nossa percepção das coisas. Pela nossa mente. Pela nossa imaginação. Nada é estável, tudo evolui a cada momento.

Acho que vou acabar por aqui.
Adoro-te,
Beijinho"

30 DE SETEMBRO DE 2009 19:01

19.9.09

Shadow of The Colossus: Roar Of The earth

É a banda sonora de um jogo de 2005, Shadow Of the Colossus, que joguei, na altura. Há uns meses voltei a jogá-lo e fiquei espantado com as músicas. Hoje foi o dia de voltar a pesquisar um pouco sobre elas. E encontrei-as. Cliquem na imagem para as obterem também. É uma sinfonia de sons maravilhosos, composta por Kō Ōtani. Transmite emoções intensas, que no jogo fazem perfeito sentido, ilustrando também as paisagens e arquitectura presentes, com a sua textura de sons e ambiente por eles produzida.

Derrame-se o Sangue!

Derrame-se o sangue e solte-se
O negro sobre a vida amaldiçoada!
Atire-se este demónio dos demónios
Ao inferno dos infernos nascido
Deste ódio que veio do amor...

Que caia sobre o desgraçado
Mil vezes o sofrimento causado!
A pureza arrancada crua e cega,
A vida impiedosamente ceifada,
O amor rasgado de repente...

(mas é eterno)


Filipe Dumas, algures na primeira metade de 2009.

16.9.09

Pequena Actualização

Escrevi alguns poemas que irei escrever aqui no blog, possivelmente daqui a uma semana ou assim. Quero dar-lhes a ilustração devida, antes, tal como ao Memórias Douradas.

Estou também a pseudo-compor uma ou duas musiquinhas que daqui a algumas semanas devem estar prontas. Gostava de as gravar para expor aqui no blog. Ainda não tem nome, mas tem letra (não é o Wally, ao contrário do que deixei a entender). Vai buscar muito aos Radiohead (Kid A e Amnesiac) mas também a outros géneros. Até estou a ficar satisfeito com o resultado. Mas, como muitos sabem, não tenho muitos recursos. Só guitarra, sem equipamento de gravação adequado.

13.9.09

Memórias Douradas

Caminhei um pouco acima para ver
As memórias da altura mais pura,
Mergulhei na saudade que não cura
Para estas emoções ver renascer.

Senti o teu abraço florescer,
Senti a calma como pedra dura,
De um doce que me dá tontura
E me faz esta mágoa falecer.

Esta felicidade desbravada
Que me percorre o sangue quente e vivo,
Deixada por sorrisos, cimentada,

As incertezas de amor que aqui revivo,
Toda a graça da vossa boa vontade
Na minha angústia têm efeito nocivo.


Filipe Dumas, Outubro de 2008

9.9.09

Segunda Hipótese

É uma nova visão,
Uma inspiração,
E no lugar do Inferno
Criou algo terno.
É uma livre emoção,
Agora posso ter paixão
Sentada no trono
Antes proibido de dono.
É uma nova ambição
Nascida de amor e razão,
Uma livre natureza
Que inspira à beleza.
É uma livre canção
Ouvida na abstracção,
Um jogo no trabalho
Que mostra o que valho.


Filipe Dumas, 10 de Novembro de 2008
Para celebrar o retorno às aulas (esta 6ª), já que o poema se refere ao meu curso.