Caminhei um pouco acima para ver
As memórias da altura mais pura,
Mergulhei na saudade que não cura
Para estas emoções ver renascer.
Senti o teu abraço florescer,
Senti a calma como pedra dura,
De um doce que me dá tontura
E me faz esta mágoa falecer.
Esta felicidade desbravada
Que me percorre o sangue quente e vivo,
Deixada por sorrisos, cimentada,
As incertezas de amor que aqui revivo,
Toda a graça da vossa boa vontade
Na minha angústia têm efeito nocivo.
Filipe Dumas, Outubro de 2008
13.9.09
Memórias Douradas
9.9.09
Segunda Hipótese
Uma inspiração,
E no lugar do Inferno
Criou algo terno.
É uma livre emoção,
Agora posso ter paixão
Sentada no trono
Antes proibido de dono.
É uma nova ambição
Nascida de amor e razão,
Uma livre natureza
Que inspira à beleza.
É uma livre canção
Ouvida na abstracção,
Um jogo no trabalho
Que mostra o que valho.
Filipe Dumas, 10 de Novembro de 2008
24.8.09
23.8.09
22.8.09
19.8.09
Caiu o Caramunhastelo

Desbravaste o meu coração vadio e perdido. Entraste nesta minha labareda que rasga a vida e viraste-a do avesso. Olhei para ti e vi a demência mais psicadélica a sugar-me em espiral para um respirar mais brando e profundo. Doseado em pequenas gotas, vislumbres de uma deusa agraciada por cantos celestes e sombrios foram-se contando, rogando por mais, insaciáveis.
Que tortura a história deste véu esvoaçante que espalha ao vento os capítulos enamorados do nosso amor. Tortura a alma de tanta beleza e dor e bênção e olhares desejados e tristes. Este palácio da lamentação que foi rugindo horrores à medida que se desmoronava pesado e metálico, este palácio de caramunhas e lástimas que foi quebrando o seu ser à penetração da aurora que foste tu. Tu. Tu, que fazes subir pela garganta a aura das minhas emoções e sujar os olhos das mais límpidas e cristalinas lágrimas. Foste tu, meu amor, que despertaste a minha paixão azul com os teus olhos.
E, quando as primaveris palavras surgiram das bocas timoratas, derreteste-me em mil outros corações, que arderam todos juntos e cegos e apaixonados. E ao despoletar, como a flor que brota para exornar esta existência feliz, o primeiro beijo, que rebentou com todas as fronteiras e atravessou o espaço e tempo, zarpou este milagre para porto desconhecido e desejado.
E os ventos, pujantes de todo o seu poder maligno ou sensual, e as acalmias, dotadas de longos olhares e respirares vazios, transformaram-se na vida que eu tanto amo. Amo, amo, amo…
17.8.09
saltaste
Quando te vi saltar, caiu-me a mente e disparou o coração. Aquele grito de puro horror que me queimava, que me corroía por dentro. Neste jogo de emoções sulfúricas libertei-me no escuro, batendo em todas as paredes possíveis. As lágrimas que ataviavam a tua pele de expressões escondidas cresciam-me também, quando me agachei no vazio, a olhar para ti. Só olhava para ti, deixando escorrer o sangue, deixando a dor tornar-se real, a cada segundo. Todos aqueles diálogos invisíveis, aquelas respostas guardadas, que haveriam de ficar assim…

Vi-te o cansaço todo nos olhos. Desejei tanto perceber o que estava por detrás daquilo que já está escondido. Provei-te as lágrimas e não reconheci o sabor (talvez já o conheça, mas sou muito insensível quanto a sabores). Um dia explicas-me? Não quero chegar ao sonho de novo sem perceber porque é que dessa vez conseguiste aquilo que querias. Não quero tornar a dor mais real e misteriosa.
Desculpa, não sei que mais dizer. Talvez consiga mais tarde.
a.


